Às vezes, o porquê, o quê e o como de uma cena já foram respondidos, mas a cena arrasta-se, porque os artistas não sabem como terminá-la, e o anfitrião está à espera que algo mais aconteça. Vamos explorar alguns métodos para terminar uma cena no teatro de improviso.
Pausar, absorver e terminar
Em vez de perseguir todas as “prendas” (gifts) desnecessárias que acontecem após o clímax da cena, pause e permita-se absorver a história da cena. O que aconteceu? Qual foi o seu porquê? O que sabe agora sobre as personagens? Como é que a sua personagem se sentiu em relação às outras?
Enquanto se permite absorver a cena e compreendê-la, tente mover-se pelo palco. Lembre-se, pausar não significa congelar. Significa deixar a sua personagem e o público “lerem” a cena, e também preparar o seu final, criando tensão. Depois, será claro para si como terminar, seja dizendo uma última fala, ou com um último olhar poderoso.
Voltar atrás (Circle back)
Voltar atrás é como plantar uma semente cedo e regá-la mais tarde. Recompensa o público pela sua atenção e parece um segredo partilhado entre os artistas e o público. Voltar atrás é recuperar algo que aconteceu no início da cena. Por exemplo, lembra-se de uma personagem dizer que tinha acordado tarde nesse dia. Depois, a cena desenvolve-se aleatoriamente convosco os dois num supermercado a lutar por um pastel. Para terminar, pode jogar com essa deixa anterior dizendo “então é por isso que não dormes bem”.
É importante não exagerar. Se continuar a voltar atrás a todos os detalhes, isso diminui a tensão e anula a possibilidade de terminar de forma clara.
Sair de palco
O sinal mais claro para terminar uma cena é abandoná-la. Embora pareça simples, há formas de isto correr mal. Se o seu parceiro de cena sair da cena, pode sentir que foi deixado sozinho em palco sem saber como terminar, e começa um monólogo divagante. Evite a tentação de salvar a cena sozinho. Aceite o seu arco e deixe-a terminar. Se o seu parceiro sair de cena abruptamente, pode adicionar uma última fala, por exemplo, “não era assim que devias acabar comigo”, e depois retomar as ações de base da sua personagem, por exemplo, ler um livro, lavar a loiça.
Outra forma de este método correr mal é quando alguém sai sem qualquer explicação. Isto deixa uma incógnita demasiado grande para o público preencher, e pode quebrar toda a história até àquele ponto.
Uma boa forma de o fazer é explicar porque está a sair, por exemplo, a sua personagem diz que vai reparar a sanita que o outro partiu. Ao sair, dê algum fecho à cena para que o seu parceiro tenha a deixa para o final, por exemplo, “aquela sanita era a única coisa que segurava a nossa relação e agora acabou! Nunca mais te quero ver”.
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