O palco de improviso é a tela em branco definitiva. Um vazio a gritar por um mundo que se construa sobre ele. Esse mundo nasce quando ofereces um objeto ou espaço invisível. Por exemplo, “esta vassoura é amarela e está no chão” e, de seguida, tratar essa realidade como 100% verdadeira durante toda a cena. Pensa nisso como uma ilusão partilhada que liberta o teu parceiro de cena e o público. Vamos aprender a construir um mundo cativante no teatro de improviso.
1. Define-o
Quando tocas naquela maçaneta, naquele comando de televisão, ou naquele livro antigo, o teu trabalho é fazer uma escolha. Não perguntes ao teu parceiro de cena no que acabaste de tocar. Tu sabes.
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Detalhe é a Chave: Toda a gente quer saber se a vassoura é leve ou pesada. Porque é que está ali? É feita de madeira? Parece velha ou nova e cara?
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Consistência Física: Agora que todos sabemos isso sobre a vassoura, a forma como interages com ela só pode ser sob essa descrição. Se for pesada, com certeza irás gemer ao levantá-la. Se for velha, podes queixar-te de que precisas de uma nova que não pareça tão decrépita.
2. Usa os cinco sentidos
Não estamos apenas a usar os nossos olhos. Mundos fortes usam os cinco sentidos.
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Olfacto: O ar está denso com o cheiro metálico de um mercado de peixe, ou com o cheiro suave e doce de pó de talco? Cheira o ar.
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Textura: Não te sentes apenas na cadeira, sente a lã áspera e roída pelas traças ou o couro gelado e suave. Lambe a chuva do teu dedo.
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Som: Dá às tábuas do chão um rangido específico. Dá ao objeto um peso específico que faça os teus ombros curvarem.
Agora, o teu parceiro de cena pode reagir ao fumo que cheiras ou ao chão frio que sentiste.
3. Não vás contra o Mundo inventado
O teu mundo inventado não é fluido. O público e o teu parceiro dependem de ti para seres o explorador constante deste espaço.
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Lógica espacial: Se a lareira está à direita e a escadaria está à esquerda, elas permanecem ali. Se tens de passar por cima de um cão a dormir, esse cão ainda está ali 30 segundos depois.
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Tempo de viagem: Se saíres do palco pela direita (para o jardim) e regressares pela esquerda, tens de ter viajado uma distância consistente e credível. Leva o tempo! Não reapareças de repente. A jornada deve corresponder à geografia.
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Recompensa: Quando manténs uma geografia perfeita, dás ao teu parceiro a liberdade de reagir genuinamente ao mundo que construíste.
Mundos Pobres Criam Confusão
O aceno casual e não-comprometido a um objeto força o público a perguntar constantemente: “Espera, o que é que ele está a fazer?”, e nesse momento perdes o público.
Mundos Fortes e Detalhados:
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Ancoram a cena e focam o público.
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Dão aos personagens inúmeras razões para ação física.
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Eliminam a adivinhação do público, permitindo-lhes focar-se a 100% no desenvolvimento do personagem.
Constrói o teu mundo corretamente, e todos poderão viver nele!
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